“Bem, eu realmente aprendi algumas coisas e uma delas é que a felicidade não tem nada a ver com a aprovação das outras pessoas. O que é realmente importante é estar feliz com você mesmo, encontrar alguém que é importante para você e seguir adiante sem ligar para que os outros falam.” — Kurt Cobain
"Mariana, meu bem, onde está você?
Faz frio e não tem nenhuma fonte de calor nesse quarto. Depois que você decidiu ir embora, a vida seguiu para um rumo que eu não conhecia. Um caminho tortuoso, paisagens mortas e frio, muito frio. O que você está fazendo esse tempo todo? Por que baby, por que você tinha que fugir com meu coração na mochila e com minha felicidade num bolso? Por que você não volta pra mim e cura minhas dores? Por que eu não consigo parar de pensar em ti por um segundo sequer? E por que tudo gira em torno de você? Empacotei meus sorrisos e te mandei. Você recebeu? Você percebeu que você carrega tudo de mais importante na minha vida? Por que você não escreve pra mim? Você recebe essas cartas? Quanta dor e dúvida é possível colocar em um texto? Quantas interrogações você suporta? Será que é uma quantidade maior que as incertezas que você abandonou junto comigo? Eu estou despedaçado. Esgotado. Acabado. Vamos parar com o esconde-esconde e mostrar de vez que nós nascemos pra ficar juntos e nada mais. Por favor. Eu te imploro Mariana, me deixa voltar pro seu porto. Deixa eu atracar meu barco no seu “cais-coração”. Nesse meio tempo de ausência eu venho acumulando tanta saudade e tanto amor por você. Eu preciso te dar o meu amor. Eu preciso te contar tudo o que aprendi com esse seu ‘não estar presente’. Eu preciso de calor. Eu preciso de você.
Sinto sua falta. Por favor, me dê notícias. Cícero."
Segunda carta de Cícero, outroladodemim
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"Queria eu conseguir explicar tudo o que eu tô sentindo por você. Queria saber o peso de tudo isso que tá passando pela minha cabeça, o mais do mesmo que toda pessoa que gosta extremamente de outra pensa. Chego a te odiar em alguns momentos. Mas não te preocupa, a maré de raiva baixa no momento em que você me dirige a palavra, a sua doce voz que os meus ouvidos tanto anseiam em ouvir. Frases mal elaboradas saem da minha boca aos tropeços, e você ri de mim e diz que eu sou a pessoa mais engraçada do mundo. Não diria isso se visse como eu fico quando você sai de perto e vai conversar com outras pessoas. Você ri junto delas e eu me afogo no meu ciúmes. Já até fiquei amigo desse sentimento ignorado por você quando se trata de mim. E eu acho que isso deve ser o que eu mais odeio nesses nós que você deu em mim. Se eu pudesse extinguir uma coisa da minha vida seria essa minha ideia de que você me pertence e que não deve conversar com mais ninguém, apenas comigo. E, aliás, se você souber um chá que possa me curar disso, me avisa! E lá vem você de novo, diz que esqueceu de me contar uma coisa e eu já me sinto muito melhor, recupero o fôlego e sinto meu corpo pesar e estremecer. Era bobagem, como todas as outras coisas que você me conta e pelas quais eu me apaixono. A solidão se torna minha melhor amiga quando você não me responde, ou quando não quer papo com ninguém. E eu sei o que acontecerá amanhã se eu não tiver coragem de te dizer tudo isso que aqui escrevo: acontecerá tudo de novo, o mesmo ciúmes, os mesmos sorrisos, a mesma solidão e o mesmo peso sobre a minha cabeça antes de dormir. Me diga, esse peso que sinto é normal? O amor pesa tanto assim?"
Só mais do mesmo sobre você, outroladodemim
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"Tente imaginar ver a pessoa que você ama todo dia, todo momento, e não poder falar nada. Imagine também ter que vê-los todo dia, na sua frente, ela e ele. Todo amor do mundo, é o que eles exalam. E você suspira esse cheiro de coisas doces e meigas, esse cheiro de amor, bem perto, bem próximo… e fica triste. Imagine agora que você sabe que não tem mais saída. Que você só consegue se imaginar no futuro com ela, vivendo junto com ela, tendo filhos com ela, somente ela e mais nenhuma outra. E ela? Ela não se importa contigo. Faz questão de mencionar o nome dele a todo momento cabível. Então, me responda somente uma coisa… Dói?"
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"Certo, vamos aos fatos. Você ficou com ela, ela gostou de você, mas depois vocês se separaram. Você ficou triste depois que ela já tava feliz em outros braços, risos, cheiros, vozes, emoções. Coisas que você nunca proporcionou pra ela. Mas agora você a ama, muito mais do que antes, exageradamente mais. E aí vem aquele paradoxo estranho: você gosta de ver ela bem, mas você não quer ela bem. Mas, explico, você não quer ver ela bem com ele. Você quer ela com você, te fazendo bem, te proporcionando essas coisas que você só sente com ela, que você já procurou em todo lugar. Mas ela não te quer mais. Ela que já ficou com você, que já se decepcionou com você, que já não se faz feliz com você. Ela tá feliz e segura com ele, que é a fonte nova de felicidade dela. E aí? Como sair dessa? Como ser feliz novamente? Shakespeare uma vez escreveu, “ser ou não ser, eis a questão”. Então, “ser ou não ser feliz?”. Eis a questão."
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